segunda-feira, 20 de abril de 2026

Estudo dirigido: Tecnologias, inteligência e educação


    A leitura dos textos me trouxe diversas inquietações e dúvidas, entretanto, também trouxe clareza com relação a alguns questionamentos. 


        Ao me aprofundar na leitura do capítulo XV, logo me chamou atenção que para Pinto (2005), as tecnologias estão inseridas no campo da historicidade, da ideologia e do trabalho humano, demonstrando seu caráter profundamente social e político. Na leitura do texto, percebe-se que para o autor, não existe neutralidade tecnológica, compreendida como uma síntese das relações sociais que a circundam, a tecnologia expressa e sintetiza as relações sociais que a produzem, não sendo ela neutra, ela reflete os interesses, disputas e até contextos históricos no meio em que está inserida.


      Com base nisso, percebemos que não basta a tecnologia ser somente inserida, pois ela sozinha não produz nenhum conhecimento, não produz sentido, ela precisa de intencionalidade, requer um estudo prévio por trás de quem irá utilizá-la para que de fato ela funcione efetivamente e é desse modo que o autor desconstrói a ideia de tecnologia como algo puramente neutro.


     Para entender ainda mais esse conceito e afastar a tecnologia como algo neutro, Pinto (2005) discorre sobre o trabalho como um ponto principal para entendermos mais o conceito “tecnologia”, para ele, o trabalho produz uma transformação na natureza e produz conhecimentos e instrumentos que são fontes históricas, percebe-se que para o autor e em como discussões já realizadas em sala de aula, a tecnologia não é puramente um conjunto de ferramentas e sim a materialização do trabalho produzido pelos seres humanos ao longo do tempo. Para Pinto, a tecnologia, não tem o poder de libertar, nem oprimir, é sempre mediada e fundamentada pela ação humana.

 

Não é somente Vieira que possui a ideia de tecnologia como algo distante de algo neutro, Levý também possui a mesma linha de pensamento.


     Em diálogo com os textos de Levý (1993) que sugere que as tecnologias, uma vez produzidas, passam a reconfigurar o próprio trabalho cognitivo humano, ou seja, elas produzem um movimento de feedback sobre o pensamento humano, reorganizando as práticas de trabalho e também os próprios modos de pensar, perceber e produzir conhecimento, ou seja, ambos os autores entendem as tecnologias para além do modelo instrumental, e sim o seu poder de dar sentido e produzir conhecimento através da interação e mediação com os seres humanos.


     De acordo com os autores, analisamos que as fontes tecnológicas têm revelado modos de produzir e disseminar novos conhecimentos e dessa maneira, vem provocando uma mistura de culturas que se integram e se moldam a partir da incorporação das diversas formas de apropriação de informações, Lemos (2008) apud Souza, Tamanini e Santos, (2024) afirmam que “a cibercultura é a expressão cultural do encontro entre a sociedade pós-moderna e as tecnologias, em que homem e máquina imbricam-se, definindo-a como “o conjunto de atitudes (apropriação, subterfúgio, ativismo) originadas a partir da união entre as tecnologias informáticas e as mídias de comunicação”.

 

  Com relação a concepção de aprendizagem, Pinto (2005) define que aprender é muito mais que apenas acumular informações e sim realizar uma transformação de forma qualitativa entre o aprendiz e o mundo, uma relação de interação e mediação entre o trabalho e a técnica, já Levý (1993) diz que a tecnologia aumenta as formas de aprendizagem, contudo, não assegura uma aprendizagem crítica para aqueles que a utilizam, precisando ir além.

 

Para ambos os autores, aprender não é somente interagir com os artefatos tecnológicos e sim, compreender os processos de forma crítica e entender os efeitos que elas produzem, entender o poder transformador da aprendizagem em nossa mente e o quanto ela pode modificar nossa realidade.



SOUZA, Maria do Socorro; TAMANINI, Paulo Augusto; SANTOS, Jean Mac Cole Tavares. Cultura digital: tecnologias, escola e novas práticas educativas. Revista Pedagógica, Chapecó, v. 22, p. 1-19, 2020. Disponível em: http://dx.doi.org/10.22196/rp.v22i0.4771. Acesso em 13 abr. 2026


LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Tradução de Carlos Irineu da Costa. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora 34, 2010.


PINTO, Álvaro Vieira. O conceito de tecnologia. Volume II. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Passado x presente x futuro: o quanto a tecnologia vem modificando nossas vidas?

 No sábado, dia 18/03, tivemos em minha escola uma palestra com o professor Ailton Dias sobre tecnologia no passado, presente e futuro. Um d...